Espaço Criativo | Oficina de saberes

Espaço Criativo | Oficina de saberes O Espaço Criativo -Oficina de Saberes também ministra aulas de artesanato e de arte, nas suas dive

Ateliê de artes plásticas nas suas várias formas de expressão. Tem como objetivo, na área das artes, trabalhar com o potencial criativo em turmas coletivas ou individualmente. Também atuamos no desenvolvimento e criação de projeto de arquitetura e ambientação de interiores.

15/05/2026

Gosto de venenos
Lentos
Que não matam
Alucinam
Devagar
Gosto de rapazes
Que despertam vontades loucas
Ao passar
Ao olhar
Que me instigam
Desejos de escuros
Loucuras vorazes
Que lúcida
Nem pensar
Gosto das noites
De escombros
De becos sombrios
Dos quais á luz do dia desvio
Gosto de vielas
Do breu
Sem nada enxergar
No escuro
Também se pode sonhar

Alessandra Chianca
15/05/2026

12/05/2026

Com o coração atento
Sigo ao sabor do tempo.

Alessandra Chianca
12/05/2026

03/05/2026

Meu coração voraz
Qual café solúvel
Se derrete
Ao seu toque
Ao seu gesto
Ao seu jeito
De olhar
De beijar
Vem
Sem pressa
Do jeito que der
Do jeito que souber
Sem aviso
De improviso
Vem
Do jeito que vier
Te aceito
Coração e olhar em festa
Só vem
Sem aviso
De improviso
Só vem

Alessandra Chianca
03/05/2026

30/04/2026

É um baú grande. De madeira escura e pesado. Pesado como sao geralmente, os baús. Na antiga casa onde morava, uma casa grande, espaçosa, com terraço, varanda, jardins circundando a casa, ele ocupava o lugar do centro da sala de estar, uma sala ampla e iluminada, sempre de portas abertas para receber os amigos com sorrisos, abraços, um cafezinho com bolo, biscoito e uma boa prosa. No apartamento em que mora atualmente, o baú foi relegado ao quarto dos guardados, ao quarto onde tudo está á espera de um dia ser usado. Há seis anos não abre o baú. Nem lembra exatamente o que tem guardado nesse tesouro de memórias. Olha meio indecisa, com um pouco de ansiedade, um pouco de medo. Medo do que pode ter guardado há tanto tempo e há tanto tempo meio esquecido pelos dias que transcorrem tão vertiginosamente. Abre finalmente o baú. Fotos nos braços da mãe, sua mãe com cara de brava e ela chorando muito. Talvez com uns três, quatro anos de idade. Foto de seus pais, muito jovens e bonitos. Pode-se perceber pelos olhares que estavam apaixonados. Foto com sua irmã, tão linda, quatro anos mais nova. A irmã, também chorando, porque nunca gostou de tirar fotos. Foto de um dia na praia. Foi sem dúvida alguma, o dia mais feliz de sua infância até os oito anos. Um piquenique coletivo com os vizinhos da rua. Foram passar um dia na praia, com direito á comidinhas, sanduíches, refrigerante, pirulito e picolés de morango, daqueles que deixam a boca cor de rosa de tanto corante. Fotos com amigos, com o primeiro namorado que não foi seu grande amor. Seu grande amor foi o segundo namorado, pai de suas filhas. Foto das filhas em várias fases da vida. Alguns rabiscos. Escritos guardados, meio amarelados pelo tempo. A foto que gosta mais de si mesma, é uma foto oficial do colégio, pois todo ano a escola no início do ano letivo, tirava uma foto das alunas individual e coletivamente. Nunca conseguia tirar a foto séria, como a ocasião exigia. Sempre sorrindo. Sempre levava uma bronca das freiras porque a foto não era condizente com a importância do momento. Não ligava. Continuava sorrindo, como sorriu e sorri até hoje, quando lhe dá vontade, quando a alma pede. Foto de seu pai, o único jornalista a entrevistar o então presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek, quando veio á Paraíba, na cidade de João Pessoa. No baú, também estão declarações de amor de suas filhas escritas no dia das mães, assim como desenhos, que guardou como quem guarda obras de Van Gogh. No baú, também tem documentos. Certidão de nascimento, de casamento, certidão de batizado das filhas, diplomas, certidão de óbitos da mãe, do pai. Uma antiga carteira de identidade da mãe, aos 35 anos. Tão linda, sua mãe. Fotos do seu segundo marido. Seu amor da maturidade. Sempre na praia, os dois, como se a vida transcorresse num eterno verão, com ventos amenos. Santinhos de primeira comunhão. Fotos, muitas fotos, porque é de um tempo que tirar fotos e revelá-las é inevitável. Enquadramos esses momentos eternizando-os, talvez para que nossos futuros descendentes sejam testemunhas da nossa existência. Percebe, que, apesar de tantas recordações e objetos guardados nesse baú ancestral, pois ele foi de sua avó, o verdadeiro baú são suas memórias, suas lembranças que como tatuagem estão grafadas em seu coração, em seus olhos. E sorri. Sorri como sorria aquela menina no tempo de colégio se rebelando á ordem dada pelas freiras. Talvez porque sorrir seja seu ato de rebeldia e liberdade. Por isso, traz consigo até hoje, um sorriso teimoso de quem sabe que viver, apesar dos percalços, das dores e das perdas, é bela. E sorrir, pode ser revolucionário.

Alessandra Chianca
30/04/2026

11/04/2026

Teus atos negam
As evidências do coração
Haverá amor então?
Em gestos, olhares
Subtendidos
Permissão?
Mapeio indícios
Pistas
Um sinal de fumaça
Em meio ao turbilhão
Teu olhar meio avesso
Meio brincalhão
Quer me dizer
Sim
Ou
Não?

Alessandra Chianca
11/04/2026

28/03/2026

Sem paraquedas
Me atiro no abismo
Me entrego a esse salto
Inequívoco
Que é
Tão somente
Viver

Alessandra Chianca
28/03/2026

Sempre foi dispersa. Vivia imersa em um mundo de idéias. Um mundo que fervilhava de mágicas, sonhos e fantasias, qual um...
16/03/2026

Sempre foi dispersa. Vivia imersa em um mundo de idéias. Um mundo que fervilhava de mágicas, sonhos e fantasias, qual um caldeirão de bruxas a forjar porções que só ela sabia criar. Acho que surgiu daí, a necessidade de escrever. A necessidade de materializar em parágrafos, frases e textos, esse universo que lhe habitava. Surgiu da necessidade de expressar sentimentos escondidos, revoltos, muitas vezes desconexos. Surgiu da necessidade de salvar a si mesma. Escrever passou a ser quase redenção. Era através das palavras, da magia da escrita, que se percebia e se compreendia um pouco mais. Os sentimentos, os medos, as dúvidas, o espanto diante do inusitado da vida, passaram a ter sentido quando escrevia. Escrever, passou a ser uma catarse, um desnudar-se de seus escombros. Passou a ser reconstrução. As palavras saiam em burburinho, como rio que transborda em período de enchente. Enchia o papel de letras, frases, parágrafos, como desenhasse a si própria, em busca de sua identidade, naquele mar de letras. Esse processo criativo, meio inconsciente, meio psicodélico, trouxe consigo a necessidade de organizar-se um pouco mais para poder escrivinhar, de maneira mais racional o que sentia em profusão, desde criança. Tentou. Pelo menos tentou. Se deu conta que esse caminho para ela, não funcionava. Descobriu que, para ela, lápis, papel, letras e palavras, são instrumentos quase sagrados no processo da escrita. Entrou em conflito consigo mesma, porque, inconscientemente, achava que o resultado da escrita nesse processo catártico, fosse uma escrita menor, desimportante, do ponto de vista dos cânones acadêmicos, que a tudo exige processos e metodologias. Se angustiou, quase desistiu de escrever. Mas deixar de escrever para ela, não é opção. É necessidade. É existir. Escrever é
existir através da palavra. Parou de brigar consigo mesma, quando percebeu que é no caldeirão de bruxas que ela mistura letras, palavras, textos e tece histórias que ressignificam sua existência e de alguns leitores, que talvez se sintam imersos nesse imenso caldeirão de bruxas que é vida, repleta de paradoxos e surpresas. A técnica da escrita, a metodologia, ela continua tentando. De vez em quando.

Alessandra Chianca
16/03/2026

Sou da ala da folia, da alegria do Carnaval. Carnaval para mim, é  renovação, é ritual, é simbologia de tempo e espaço. ...
10/02/2026

Sou da ala da folia, da alegria do Carnaval. Carnaval para mim, é renovação, é ritual, é simbologia de tempo e espaço. O ano, literalmente, para mim, com seu cotidiano de demandas e responsabilidades, só começa depois do Carnaval. É nesses dias de folia e liberdade de ser, que nutro meu coração e minha alma de alegria, para iniciar realmente mais um ano com todas as responsabilidades que a vida real nos impõe. Carnaval também é teia de afetos. Nessa ala da vida, encontramos velhos amigos, que muitas vezes só vemos no Carnaval, naquele bloco que frevamos juntos até o amanhecer, quando os pés já reclamam, o corpo está moído que nem bagaço de cana de engenho, mas o coração, ah, o coração não cabe em si de felicidade. Nessa teia de afetos, meus parceiros perfeitos para prévias, folia de rua, blocos e afins, são eles, minha irmã e meu cunhado, com quem compartilho marchinhas, frevos, cantorias, risos e liberdade de sermos quem somos, sem censura nem julgamentos, apenas vestidos de plumas, paetês, risos e fantasia. Amo vocês. Que possamos nos enredar de sonhos e fantasias nesses caminhos do Carnaval por muitos e muitos anos mais.
"Quem é você, adivinha se gosta de mim..."

Alessandra Chianca
10/02/2023

Meu silêncio densoQual pedra no fundo de um rioMuitas vezes era um grito não ouvido por tiDizendo: Te amo Alessandra Chi...
25/01/2026

Meu silêncio denso
Qual pedra no fundo de um rio
Muitas vezes era um grito não ouvido por ti
Dizendo: Te amo

Alessandra Chianca
25/01/2025

O silêncio da noite para ela, é algo ficcional, considerando que  silêncio seja a ausência de algum som externo, mas na ...
22/01/2026

O silêncio da noite para ela, é algo ficcional, considerando que silêncio seja a ausência de algum som externo, mas na sua cabeça conversam vozes. Vozes num diálogo muitas vezes confuso e que lhe fazem tantas perguntas, perguntas para ás quais não tem resposta. Mais uma voz a lhe perguntar: será que tudo necessita de resposta, de explicação? Se a própria existência humana é a maior das incógnitas como desvendar tantos outros enigmas de nossas vidas? Necessita, urgentemente, que essas vozes internas se calem, emudeçam, para ter um pouco de paz, de quietude. Mas elas, as vozes, não lhe ouvem e desrespeitosa mente gritam em sua cabeça que elas são autônomas, brotam livremente independente de sua vontade. São vozes ansiosas por respostas como o que é vida, o que vem depois da morte, amores são para sempre mesmo quando se separam, será que todos nossos desejos cabem numa única existência, Deus existe? Sente uma certa angústia, uma certa opressão no peito, uma falta de ar, porque tantos questionamentos lhe deixam física e emocionalmente cansada. Desde pequena foi assim: pensativa. Olhava o azul do céu e se perguntava: como os anjos não caem do céu, quando chove será que se molham, será que Deus dorme? Muitas vezes quando se encontrava nesse estado de inércia, quase apatia, sua mãe, outra pensante intermitente, chegava e lhe perguntava curiosa: está pensando em quê? E se achegava de mansinho e juntas passavam a perguntar sobre os segredos da vida, do amor, da existência. Essas perguntas nunca serão respondidas. Será? E com a cabeça pensante de quem não para de pensar, ela pensou: toda criação vem do pensamento? Já parou para pensar nisso?
Se o pensamento do filósofo francês, René Descartes, " Penso, logo existo" estiver correto, todo pensante vive intensamente pois em seus pensamentos cabe todo o universo, cabe toda realidade, cabe todos os sonhos e a liberdade de voar. Será?

Alessandra Chianca
22/01/2026

Alessandra Chianca
22/01/2025

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