30/07/2026
Falar sobre a minha decisão de ser arquiteta nunca foi tão simples. Talvez porque, durante muito tempo, eu não tenha percebido que essa escolha começou muito antes da faculdade.
Hoje, observando a criação da minha filha, comecei a reconhecer nela algumas características que também fizeram parte da minha infância e foi assim que passei a olhar para a minha própria história de outra maneira.
Desde muito nova, eu me interessava por padrões, formas geométricas e pelas diferentes possibilidades que existiam dentro de um desenho. Nas aulas de física, química e matemática, eu enxergava algo além dos cálculos. Eu queria entender as formas, as faces, os volumes e como tudo aquilo poderia ganhar vida.
Ao mesmo tempo, o mundo das artes sempre me trouxe uma conexão muito profunda.
Eu desenhava, criava novas formas e presenteava meus amigos com ilustrações inspiradas na maneira como eu enxergava cada um deles. Eram desenhos que carregavam personalidade, sentimento e a minha própria interpretação sobre aquelas pessoas.
Talvez eu ainda não soubesse, mas ali já existia uma arquiteta tentando se expressar.
O tempo passou, a carreira foi construída e muitas conquistas chegaram. Mas, quando olho para trás, percebo que alguns traços sempre estiveram presentes.
A arquitetura não surgiu apenas como uma escolha profissional. Ela foi sendo construída aos poucos, entre números, formas, desenhos, pessoas e tudo aquilo que despertava a minha sensibilidade.
Hoje, consigo enxergar que existe uma parte de quem somos que sempre encontra uma maneira de aparecer.
Você também consegue identificar, na sua infância, algum sinal da pessoa que se tornou hoje?