Yuri Rocha

Yuri Rocha Dou dicas de onde comer bem em São Paulo e gosto de discutir gastronomia de maneira mais profunda! "Comer é uma necessidade, mas saber comer é uma arte..."

Dicas gastronômicas em Goiânia! Por Yuri Rocha.

30/04/2026

Muito feliz e honrado de estar na página 4 da de hoje, falando sobre como as 3 estrelas Michelin do e do abrem uma janela para que o Brasil se venda como um país de turismo gastronômico. O texto foi feito em parceria com minha querida amiga , referência máxima em turismo no país, e está disponível no site (estamos em primeiro lugar dos mais lidos) e no impresso, em todas as bancas do Brasil. A primeira vez na Folha precisa ficar registrada! Obrigado pela confiança e carinho aqui comigo! ❤️

Trabalhar brasa é uma das tarefas mais desafiadoras da gastronomia. Há uma linha muito tênue que divide notas defumadas,...
24/04/2026

Trabalhar brasa é uma das tarefas mais desafiadoras da gastronomia. Há uma linha muito tênue que divide notas defumadas, tostadas e grelhadas que elevam o sabor e que ofuscam completamente o ingrediente ou o conjunto. Por isso, a quantidade de restaurantes louváveis nessa linha é escassa e, no seleto grupo, coloco o Casa Rios entre os melhores da cidade.

O menu autoral e instigante divide-se em lenha, defumação, brasa e grelhados, e traz opções como a espetacular broa de milho (R$49) de fermentação natural, crocante, alveolada e quente, que acompanha manteiga da casa defumada com pó de carvão e sal defumado, equilibrada entre o frescor lácteo e a nota mais fechada da defumação; escabeche de pimentão na páprica e limão-tahiti.

Intenso e ousado, o Cogumelos (R$91) vem com shimeji na brasa em emulsão de garum, gema, vinagre de algas e purê de cogumelos e picles de cebolinha. É profundo, com salinidade marcada do garum, umami alto e acidez pontual, que corta a gordura da gema e mantém o prato em movimento.

Crocante, cremosa e, portanto, rara na cidade, a coxinha de galinha caipira (R$46) é feita na brasa e defumada em laranjeira, com uma espuma de requeijão defumado.

A carne que encabeça o post é o chorizo (R$189 - 350g) de Wagyu, em perfeito ponto e sabor. Com ele o mil folhas de mandioca com bernaise de manteiga queimada, tahiti e pó de cinzas tem lâminas finas crocantes de mandioca intercaladas com o o molho ácido, untuoso e levemente tostado, que traz frescor e profundidade ao conjunto.

Dos doces, torta de queijo de ovelha (R$45) e chocolate com amendoim (R$49). Naquela, temos ainda goiabada na lenha e especiarias amazônicas. Nesta, cremeux de praline de amendoim, ganache de chocolate, crumble de cacau, amendoim caramelizado e espuma de chocolate.

Para beber, drinks. Adocicado e cítrico, o âmbar (R$49) leva bourbon, vermouth tinto, caldo de caju com gengibre e especiarias e suco de limão siciliano. Adocicado e mais amargo, o escarlate (R$45) leva rum branco, Cynar infusionado com frutas vermelhas, suco de toranja assada, amaro e xarope de açúcar.

Vale muito a ida!

Um programa que me pega profundamente? Karaokê. Pausa para recuperação mental dos que me acompanham. Sim, adoro. Solto a...
16/04/2026

Um programa que me pega profundamente? Karaokê. Pausa para recuperação mental dos que me acompanham. Sim, adoro. Solto a voz, animo a turma e me pego sem nada se passando pela minha cabeça, ainda que por uns minutos. O que é raro. O meu favorito de São Paulo é o Donchan, também izakaya, nos Jardins. Além do público agradável e participativo, conta com um menu enxuto e autêntico, e uma carta de destilados e fermentados nipônicos não muito comuns pela cidade. O onigiri (R$18,00), por exemplo, tem uma casca crocante de grelha, grãos macios e cozidos à perfeição, e alga fresca. A costelinha com missô (R$36,00) é salteada com gengibre, cebola, cebolinha e missô. O katsusando (R$30,00) tem pão macio e tonkatsu crocante, sequinho e suculento, unidos por maionese, molho tonkatsu e mostarda. Para beber, awamori. Conhecem? É um destilado tradicional de Okinawa, feito a partir de arroz de grão longo fermentado com koji preto e destilado uma única vez, o que resulta em uma bebida mais alcoólica e intensa que o saquê. Tem sabor direto, com notas terrosas e levemente adocicadas, e pode ganhar mais profundidade quando envelhecido por anos em potes de barro, sendo consumido puro, com gelo ou diluído em água. Por lá, vendem a dose (R$32,00) ou a garrafa. Bebida leve e que deixa alto, comida alta e que deixa leve. E assim vamos entre Champagne Supernova, I don’t wanna miss a thing, Always, Black e outros muitos clássicos cantados com o fôlego do Eddie Vedder e sem o talento correspondente. E somos felizes. Vale a ida!

Muito agradável o café da manhã do Jardim Churrascada, unidade da Fazenda Churrascada no Parque Ibirapuera. Em meio ao v...
14/04/2026

Muito agradável o café da manhã do Jardim Churrascada, unidade da Fazenda Churrascada no Parque Ibirapuera. Em meio ao verde e ao vento que circula entre as árvores e entra no salão, o que cria um ambiente muito gostoso de se estar, temos ainda um menu enxuto, saboroso e um bom serviço.

O pão de queijo (R$12,00) acerta na casca firme e no miolo elástico, bem assado. Os ovos mexidos (R$29,00) vêm cremosos, no ponto, com duas fatias de pão de longa fermentação que servem de base para os ovos.

O croissant (R$25,00) é correto, folhado, acompanhado de geleia de frutas vermelhas e manteiga. Ao lado, o iogurte (R$34,00) vem com frutas frescas picadas e granola.

Ponto alto do café da manhã, o croque madame (R$54,00). Brioche, presunto, queijo prato, bechamel e parmesão, finalizados com ovo frito, red rub e cebolinha. Ovo no ponto, pão macio, recheios proporcionais e com aquele toque comfort característico.

Para fechar, o bolo do dia, de laranja, em minha visita. Simples: fofinho, macio e com sabor presente de laranja.

Vale o café quando pelo parque.

Uma sugestão de achadinho para vocês colocarem na lista: Shim Shim, casa de comida coreana para além do churrasco, no Bo...
12/04/2026

Uma sugestão de achadinho para vocês colocarem na lista: Shim Shim, casa de comida coreana para além do churrasco, no Bom Retiro. Almocei por lá hoje e provei dois pratos que me trouxeram uma felicidade genuína: o já conhecido japchae (R$149,00) e o mul naengmyeon (R$65,00), que comi pela primeira vez.

O primeiro é um macarrão de batata doce bem fino, translúcido, mais elástico e adocicado, que absorve o caldo dos legumes e das carnes refogados no óleo de gergelim. Vem com banchans sortidos, sendo a panqueca de legumes e a omelete os meus favoritos - como tende sempre a acontecer.

Já o segundo é uma sopa gelada coreana - não fria, gelada, com pedras de gelo mesmo - com macarrão de trigo sarraceno fininho e farto, a ponto de irmos cortando com a tesoura para conseguir aproveitar os legumes, aqui nabo e pepino, e a carne, que completam a iguaria. É delicioso. Sobretudo em dias azuis e quentes, como hoje, sacia e traz leveza, que é o oposto do que geralmente ocorre ao fim de uma refeição coreana.

Vale muito a ida!

23/03/2026

Quem desce a inclinada Barão de Iguape, tenso, olhando por onde pisa para não cair, talvez passe na porta do Thai e San ...
22/03/2026

Quem desce a inclinada Barão de Iguape, tenso, olhando por onde pisa para não cair, talvez passe na porta do Thai e San e nem se dê conta que há ali um ótimo restaurante tailandês.

Ao tocar a campainha, entramos em um salão como se em um portal, de outras cores, sons, cheiros e ritmos.

Com menu de clássicos tailandeses já conhecidos no Brasil, o Poh Pia Harumaki (R$) é um rolinho frito crocante com recheio gostoso de macarrão de feijão moyashi, cenoura, repolho, cebola e shiitake.

Provei o pad thai (R$45) de porco, pois tenho uma leve reação ao camarão, com massa al dente, temperos profundos e carne macia e suculenta.

O Khaoeni Mamuang (R$23), um moti levemente aquecido e doce, colorizado com extrato natural de folha de pandan (tipo uma baunilha) e coberto com leite de coco e manga adoça e refresca a refeição.

Em tempos de síndrome de Pedro Álvares Cabral, onde todo dia alguém “descobre” um restaurante “secreto” em algum “cantinho” de São Paulo (tsc), o Thai e San cabe no verbete de “portinha”, abrigando uma estrutura simples, com atendimento esforçado, comida simples e a bom preço. Antes que os colonizadores cheguem com as caravanas, vale a ida!

Você gosta de trabalhar aqui? Ah, gosto muito, por quê? Porque é difícil não concluir que sim, se quando pergunto sobre ...
21/03/2026

Você gosta de trabalhar aqui? Ah, gosto muito, por quê? Porque é difícil não concluir que sim, se quando pergunto sobre qualquer prato vem um elogio entre sorrisos de admiração.

Foi esse meu diálogo, incontido, no almoço, depois de estar encantado com o serviço e com tudo que comia, abancado a uma das disputadas mesas do Cuscuz da Irina, na Vila Madalena.

O meu favorito do almoço foi o cuscuz com carne de sol na nata (R$44), salada de feijão fradinho e queijo coalho. Provei ainda a versão com cogumelos (R$42), salada de feijão fradinho, macaxeira, jerimum (abóbora) assada e coentro.

Em ambos, cuscuz soltinho e bem temperado, e salada de feijão fresca e com grãos al dente. No primeiro, carne cremosa e de sabor profundo, e coalho em perfeito ponto, macio e crocante. No segundo, cogumelos gordinhos, macios, terrosos e cheios de umami, e abóbora desmanchando, sem perder a textura.

Passaram pela mesa o pão de macaxeira (R$66) com carne de sol na nata, queijo coalho gratinado e manteiga de garrafa, e a pasta de castanha de caju com feijão fradinho (R$65), com um pão da casa quente, tostado e amanteigado, de comer com prazer máximo.

Dos doces, o “risotinho de bolacha” (R$30) é um apanhado de bolachas de manteiga de garrafa umedecidas no leite e finalizadas com doce de leite abaunilhado e cremoso, e a fatia de parida (R$39) é a rabanada, bem caramelizada, com goiabada.

Cachaça, vermute, Cynar e limão fazem o “rabo de preá” (R$30), tão amargo e fechado, quanto refrescante; e cachaça, compota de caju, Cajuína e limão fazem o “caju inimigo” (R$39), cítrico e adocicado. São bons pedidos para acompanhar o almoço hedonista.

Em tempos de gastronomia pasteurizada e profundamente machucada pelos maus hábitos dos bastidores, encontrar respiro em menus e serviços é reconfortante.

Vale muito a ida!

Um extinto pensionato, na Barão de Tatuí, que respeitosamente teve sua fachada colonial e seu interior de pé direito alt...
20/03/2026

Um extinto pensionato, na Barão de Tatuí, que respeitosamente teve sua fachada colonial e seu interior de pé direito alto, longa escada de madeira e imponente assoalho mantidos. É nesse espaço antigo que se faz o novo Coda, em Santa Cecília.

Por lá, o tuca sando (R$59), releitura do tradicional katsusando, vem com atum alto, malpassado, claro, pão macio e saboroso, e furikake de wasabi.

Para beliscar enquanto se bebe e se joga conversa fora, o bolinho de pupunha (R$43) e a croqueta de camarão (R$59) são sequinhos, crocantes e têm interior cremoso e saboroso.

Não há uma distinção clara entre entradas, pratos e sobremesas; o que vem cada vez mais sendo visto por aí, aliás. Mas preços e estilos fazem-na naturalmente.

Assim, entre os pratos não propriamente ditos, a pasta a la vodka (R$71) segue a versão clássica, com massa al dente e molho cremoso, levemente ácido e adocicado. Ganha frescor com a burrata que a acompanha.

Ouso dizer que o rosbife (R$82), mais grosso, vermelho e fresco, é o melhor que comi na cidade. Vem com salada de batatas pedaçuda, que faz a carne brilhar, impedindo sua monotonia no paladar.

Aerada e profunda em sabor, a mousse de chocolate (R$43) é finalizada com azeite, que traz uma textura untuosa sutil, além de um levíssimo contraste fresco e amargo.

Embora tenha falado à beça das comidas, o foco da casa são as bebidas, os coquetéis do . Com bar imponente e de bom gosto, mas compainhas abstêmias, dele provei o interessante e ousado kimchi old fashioned (R$57), com bourbon, caramelo de kimchi e espumante, e pretendo voltar para explorar mais a carta.

Vale a passagem, quando pela região.

Basicamente, o que muda da carne de boi para a de búfalo é o sabor - mais rústico e intenso, a textura - mais resistente...
17/03/2026

Basicamente, o que muda da carne de boi para a de búfalo é o sabor - mais rústico e intenso, a textura - mais resistente ao corte, e a gordura - mais magra. Para quem nunca provou, sugiro que façam com o steak tartare de búfalo (R$68) do Sky, na Haddock Lobo.

É bem temperada, suavizando o sabor acentuado da carne, vem com cracker de milho crioulo e damasco, que confere textura crocante e serve de apoio para abocanhar a entrada.

Ao seu lado, farta e ideal para mesas maiores, a pizzeta (R$78) vem com ricota de búfala, suave e fresca, cogumelos grandes, cortados rusticamente, conferindo umami e presença, e caramelo de cebola, que traz dulçor. A massa é crocante e ideal para comer com as mãos.

Dos pratos, o agnolotti de Wagyu (R$78) entra na linha comfort food, que abraça em dias cinzas, como no do meu almoço por lá. Tem a massa al dente, é farto em recheio, mais sequinho para não umedecer e atrapalhar a textura da massa, e vem com creme de parmigiano e óleo de alho negro. Para o molho que sobra, uma fatia bem tostada de focaccia da casa.

Das minhas comidas favoritas do mundo, o socarrat vem do arroz do sobrassada (R$168), embutido espanhol defumado e intenso, com polvo e azeite de salsão, conferindo frescor.

Rabanada (R$33) e sorbet de cacau (R$34) fecham a refeição. Aquela vem com doce de leite com um toque de café, avelã e sorvete de caramelo salgado. Essa com manga verde, honeycomb (um caramelo aerado e crocante de mel) e azeite.

Para beber, drinks. Quem assina o menu é o Tarantino, que aqui dirige a carta tão bem quanto seu xará do cinema os seus filmes. O menu tem um conceito de árvores, separado em flores, frutos, folhas, madeira e raiz. Em cada categoria, insumos correspondentes.

Provei o doce e frutado ‘Pomona Punch’ (R$45) - com rum, Aguardente Porto do Vianna, Ciriguela, licor de laranja, Fassionola (xarope de frutas tropicais) e limão cravo - e o amadeirado, levemente defumado, amargo e com notas lácteas de clarificação ‘Alecrim Dourado’ (R$47) - com whisky escocês, mel, gengibre, limão siciliano, Cynar, tintura de alecrim, cedro e chá.

Vale a passagem quando pela região.

Às vezes, em um fim de noite, quando bate a vontade de um doce - e a minha quase sempre passa por sorvete, a Davvero sal...
11/03/2026

Às vezes, em um fim de noite, quando bate a vontade de um doce - e a minha quase sempre passa por sorvete, a Davvero salva com seus gelatos frescos, cremosos e profundos em sabor.

Independentemente da unidade, e são muitas espalhadas pela cidade, meus sabores escolhidos são sempre pistache e chocolate branco com cereja, mas já provei quase todos das alternadas e enxutas vitrines deles, como doce de leite, pão de mel, arroz doce, manga, coco e limão, que também são bons.

Cada qual com suas particularidades, em comum, todos os sabores trazem intensidade, clareza e equilíbrio. Dulçores contidos, o que, em sorvetes, é ótimo e bem-vindo; derretimento suave, estrutura firme e cremosa, sem cristais de gelo, nem texturas quebradiças. Sabores de início limpo e final persistente.

Dica para os mais formigas? A calda extra de pistache que eles adicionam no cascão - aliás, sempre fresco, crocante e com um sopro de canela. É doce, intensa e gosto do contraste entre o cremoso da calda e o crocante do cascão.

Vale a passagem quando próximo a uma unidade!

Endereço

Rua Itapura, 1327
São Paulo, SP
03310-000

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