17/08/2026
MENTE E CORAÇÃO.
Cheguei à Casa Cor Bahia procurando o que sempre procuro em uma mostra: aquilo que me faz parar.
Aquilo que prende o olhar, provoca uma ideia, desperta uma sensação.
Vi beleza. Vi boas ideias, materiais, formas, cores, tecnologia e muitas referências.
Mas, para minha surpresa, saí de lá percebendo que talvez eu não esteja mais procurando o mesmo tipo de coisa.
Meu olhar mudou. Hoje, beleza sozinha, já não me basta.
Quanto mais trabalho com espaços, mais percebo que não olho apenas para o que é bonito. Olho para o que um ambiente provoca.
Como ele faz você se sentir?
O que ele desperta?
Que histórias poderia guardar?
Que momentos poderiam acontecer ali?
E talvez as coisas que mais tenham me tocado tenham sido justamente as mais simples.
Uma frase que dizia:
“Pare por alguns segundos, respire e perceba como o ambiente responde ao seu corpo.”
Minha filha sentada, escrevendo em um espaço que acabara de conhecer.
Uma textura que trazia a história do tempo.
Uma luz criando silêncio.
E uma cozinha que, por alguns minutos, deixou de ser apenas um ambiente projetado para virar aquilo que uma cozinha deve ser: lugar de conversa, encontro e riso.
Foi aí que pensei no tema desta edição: Mente e Coração.
Porque um espaço pode impressionar a mente.
Mas, para mim, ele precisa também tocar o coração.
Precisa ter memória.
Afeto.
Encontro.
Ritual.
Vida.
Um ambiente pode ser impecável na estética e ainda assim não dizer nada sobre quem vai vivê-lo.
Talvez por isso eu esteja cada vez menos interessada em projetar para a tendência e cada vez mais interessada em projetar para o pertencimento.
Porque, no fim, acredito que um bom projeto não é aquele que faz alguém pensar: “Que lindo.”
É aquele que faz alguém pensar:
“Eu me vejo vivendo aqui.”
Hoje, quando projeto, é isso que procuro:
Não criar espaços para serem apenas admirados, mas lugares onde a vida tenha vontade de acontecer.
Talvez seja aí que mente e coração realmente se encontrem.