11/05/2026
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Aos 14 anos, tornei-me a artesã mais nova dos Açores. Hoje, dia 11/05/2026, celebro 40 anos a dar vida à tradição.
Desde muito cedo, entre linhas e agulhas, comecei a aprender o que viria a ser mais do que um ofício — uma herança de vida. O tricot e o crochet entraram na minha infância como algo natural, mas foi aos 14 anos que abracei o artesanato com dedicação e consciência. Nessa idade, tornei-me a artesã mais nova dos Açores, um marco que definiu o início de um caminho que hoje soma 40 anos de entrega, paixão e preservação da tradição. Cresci numa família onde as tradições não eram apenas memórias, mas práticas vivas. O meu pai dedicou-se à divulgação das antigas fechaduras de madeira, guardiãs de saberes e engenho de outros tempos. A minha mãe, com mãos sábias e pacientes, fazia as barretas do Corvo — peças únicas carregadas de identidade e história. Foi com ela que aprendi, não só a técnica, mas o respeito pelo tempo, pela tradição e pela alma que cada peça transporta. Ao longo dos anos, percorri ilhas e mares, levando comigo este saber: Flores, Faial, Terceira, São Miguel, Lisboa e até os Estados Unidos. Em cada feira de artesanato, não levei apenas trabalhos — levei histórias, raízes e um pedaço da cultura corvina. A participação no programa Praça da Alegria foi um momento especial, uma oportunidade de dar voz ao artesanato e de mostrar ao mundo a riqueza cultural que carregamos. Tive também o privilégio de transmitir este conhecimento a outras pessoas. E há uma emoção difícil de descrever ao ver que aquilo que aprendi e preservei continua agora nas mãos de novas gerações. É assim que a tradição vive: passando de mão em mão, de coração em coração. Nestes 40 anos, mais do que peças criadas, levo comigo memórias e encontros. Conheci muitas pessoas, partilhei caminhos, criei laços. Algumas dessas pessoas já partiram, mas permanecem na minha história. Outras continuam presentes, espalhadas pelas ilhas dos Açores, ligadas por esta arte que nos une. O artesanato, para mim, não é apenas trabalho. É memória, identidade e continuidade. É a prova de que o passado vive no presente — e que, com dedicação, seguirá para o futuro. No fim de tudo, levo comigo o maior legado de todos: o que recebi dos meus pais. A eles devo as mãos que sabem criar, o respeito pela tradição e o amor por esta arte. Já não estão fisicamente presentes, mas vivem em cada peça que faço, em cada fio que entrelaço, em cada história que continuo a contar. A sua memória é, e será sempre, a base de tudo aquilo que sou enquanto artesã.