21/03/2022
Hoje no Dia Internacional da Síndrome de Down publicamos um relato da sócia-proprietária da Zazulê Portugal :
“Quando, depois de 8 horas de trabalho de parto, a enfermeira pousou o Gabi no meu peito, ele olhou-me nos olhos, um olhar cheio de amor e calma. Chorei de felicidade, com o coração cheio. Uns minutos depois, levaram-no para fazer te**es e a pediatra disse-nos que ele tinha Síndrome de Down. Não acreditei...
O Gabi passou 24 horas na UTI, entre a vida e a morte. Assustados e confusos, só com o apoio da família e amigos conseguimos não enlouquecer.
Quando estabilizou, pude, enfim, dar peito ao Gabi. Disseram-me que era provável que ele não conseguisse mamar, e eu estava com tanto medo… Mas ele conseguiu! Foi lindo, um ato de união que me fez sentir de novo que éramos um só. Chorei, tamanha a alegria que sentia e que não cabia dentro de mim.
Vieram então as noites em claro e as terapias de estimulação, começadas quando o meu filho tinha um mês. Estávamos exaustos, mas sabíamos que estávamos a fazer e a dar o melhor ao nosso Gabi.
Durante muito tempo, senti o peso da culpa, da minha ‘incapacidade’ de trazer ao mundo uma criança ‘saudável’. Demorei a compreender que a culpa não era minha. Uma em cada 400 crianças nasce com esta síndrome. Já pensaram em quantas crianças nascem por dia, em todo o mundo?
Para nós, uma em todas as outras. Porque o primeiro sorriso dele, é só dele, e nosso; a primeira vez que esticou os braços na minha direção, esqueci o mundo e derreti-me naquela ternura.
Sabemos que o caminho não vai ser fácil, que o Gabi não vai acompanhar o desenvolvimento dos seus amiguinhos. E está tudo bem. O que desejamos, aquilo para que trabalhos, é para que seja feliz e aceite na sociedade. Que pais desejam outra coisa para os seus filhos?
Hoje, queremos agradecer a todas as pessoas que nos dão o apoio e carinho, e que amam o Gabriel incondicionalmente, e queremos reforçar a importância, para nós e para todas as famílias de crianças com Síndrome de Down, de elas brincarem, sem medo ou segregação, com os seus pares, na sociedade em que vão construir a sua vida.”